Tesouro Direto com taxas altas: oportunidade ou armadilha?

As taxas do Tesouro Direto estão em alta e chamando a atenção dos investidores. Em alguns títulos, especialmente os prefixados e atrelados à inflação, as rentabilidades alcançaram patamares que não eram vistos há algum tempo.

Em cenários como esse, os investidores se perguntam automaticamente se é hora de investir.  E a resposta não é tão simples quanto parece.

Uma taxa elevada pode, sim, representar uma oportunidade interessante. Mas investir olhando apenas para o percentual de retorno pode fazer com que o investidor ignore riscos importantes.

Antes de tomar qualquer decisão, vale entender por que essas taxas subiram, o que isso significa na prática e como esse cenário pode afetar a sua carteira de investimentos.

O que explica a disparada das taxas?

    As taxas dos títulos públicos não sobem por acaso.

    Elas refletem as expectativas do mercado sobre diversos fatores da economia, principalmente:

    • Inflação;
    • Taxa Selic;
    • Crescimento econômico;
    • Situação fiscal do país;
    • Cenário internacional.

    Nos últimos meses, o mercado passou a acreditar que os juros podem permanecer elevados por mais tempo, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Porque a inflação segue sendo uma preocupação relevante, quando a inflação demora mais para desacelerar, os bancos centrais tendem a manter os juros elevados por mais tempo para controlar a alta dos preços.

    O mercado está simplesmente dizendo que o cenário segue desafiador, por isso é preciso ter uma remuneração maior para emprestar dinheiro ao governo.  É justamente essa percepção que faz as taxas dos títulos públicos subirem.

    Tesouro Direito: como funciona?

      Quando você investe no Tesouro Direto, está emprestando dinheiro ao Governo Federal em troca de uma remuneração.

      Em contrapartida, o governo se compromete a devolver esse valor no vencimento do título, acrescido de juros.

      Existem três principais tipos de títulos:

      Tesouro Selic

      Sua rentabilidade acompanha a taxa básica de juros da economia.

      Costuma ser mais indicado para:

      • Reserva de emergência;
      • Objetivos de curto prazo;
      • Investidores que buscam menor volatilidade.

      Tesouro Prefixado

      Você sabe exatamente qual será a taxa contratada no momento da aplicação.

      Pode fazer sentido para quem acredita que os juros cairão no futuro e consegue permanecer investido até o vencimento.

      Tesouro IPCA+

      Combina uma taxa fixa com a variação da inflação.

      Por exemplo:

      IPCA + 7% ao ano

      Significa que seu investimento busca render a inflação do período mais um ganho real de 7% ao ano.

      Por isso, costuma ser bastante utilizado em objetivos de longo prazo, como:

      • Aposentadoria;
      • Formação de patrimônio;
      • Planejamento sucessório;
      • Educação dos filhos.

      Marcação a mercado: o risco que muitos ignoram

        Existe um conceito muito importante na renda fixa chamado marcação a mercado.

        Apesar do nome técnico, a ideia é simples.

        Imagine a seguinte situação: você comprou um título que paga uma taxa de 10% ao ano, algum tempo depois, novos títulos começam a ser oferecidos pagando 14% ao ano. Se alguém pudesse escolher entre os dois, provavelmente preferiria o título que paga mais. Então, para que o seu título antigo continue atrativo, o seu preço precisa cair.

        É exatamente isso que acontece diariamente no mercado.

        Quando as taxas sobem, o preço dos títulos já emitidos cai.

        Quando as taxas caem, o preço dos títulos tende a subir.

        Essa oscilação é a marcação a mercado.

        Imagine que você investiu R$ 100 mil em um Tesouro IPCA+ de longo prazo, alguns meses depois, as taxas de mercado sobem de forma significativa. 

        Mesmo que o governo continue comprometido em pagar o título no vencimento, o preço de mercado desse investimento pode cair temporariamente. Em determinados cenários, o saldo que aparece no aplicativo pode mostrar:

        R$ 97 mil
        ou até
        R$ 94 mil

        Muitos investidores se assustam ao ver isso. Mas esse dado não significa perda definitiva

        Se o investidor permanecer até o vencimento, continuará recebendo a remuneração contratada no momento da compra.

        Agora, se a necessidade de vender surge antes da data final, se tornará uma perda efetiva.

        Taxa alta não é sinônimo de ganho

          Quanto maior o prazo do título, maior costuma ser sua sensibilidade às mudanças nos juros.

          É como uma gangorra.

          Pequenas mudanças nas expectativas econômicas podem gerar grandes oscilações nos preços dos títulos de vencimento mais distante.

          Por isso, um Tesouro Selic normalmente apresenta pouca volatilidade.

          Já um Tesouro IPCA+ com vencimento em 2045 ou 2055 pode apresentar oscilações consideráveis ao longo do caminho.

          Isso não significa que esses títulos sejam ruins.

          Significa apenas que eles exigem:

          • Horizonte de longo prazo;
          • Planejamento;
          • Conhecimento dos riscos envolvidos;
          • Alinhamento com os objetivos do investidor.

          Taxa alta significa oportunidade? 

            Em muitos casos, sim.

            Taxas elevadas podem permitir que o investidor contrate remunerações bastante atrativas, especialmente para objetivos de longo prazo.

            Uma pessoa que pretende se aposentar daqui a 20 anos, por exemplo, precisa conseguir investir em um título que ofereça inflação, mas uma taxa real elevada pode ser uma oportunidade interessante de construção de patrimônio no longo prazo.

            Por outro lado, a mesma estratégia pode não fazer sentido para alguém que pretende utilizar esse dinheiro em dois ou três anos.

            Perceba que a mesma taxa pode representar:

            Uma oportunidade para um investidor.
            Uma armadilha para outro.

            Tudo depende do contexto.

            O que avaliar antes de investir 

              Antes de escolher qualquer título do Tesouro Direto, vale responder algumas questões:

              • Qual é o objetivo desse dinheiro?
              • Por quanto tempo posso permanecer investido?
              • Existe a possibilidade de precisar desse recurso antes do vencimento?
              • Estou confortável com oscilações temporárias no valor investido?
              • Esse investimento está alinhado ao meu perfil de investidor?

              Essas perguntas muitas vezes são mais importantes do que a própria taxa oferecida.

              A maior taxa nem sempre é a melhor escolha 

              No mercado financeiro, é comum que investidores sejam atraídos pelos maiores percentuais disponíveis na tela.

              Mas investir não é uma competição para encontrar a maior taxa. É um processo de construção patrimonial. Uma boa carteira normalmente combina diferentes objetivos, prazos e classes de ativos.

              A melhor decisão nem sempre será o título que paga mais. Na maioria das vezes, será aquele que melhor se encaixa no seu planejamento financeiro.

              Porque investir bem não é comprar no impulso. É entender o cenário, conhecer os riscos e construir uma estratégia que faça sentido para os seus objetivos de vida.

              Quer entender se as taxas atuais do Tesouro Direto fazem sentido para o seu momento financeiro? Converse com um dos assessores da FinCapital e descubra como alinhar seus investimentos aos seus objetivos e ao seu perfil de investidor.

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